Café Museu Arte Sacra

O Café do Museu está instalado na arcada de estilo renascentista existente no edifício do sec.XVII que é hoje o Museu de Arte Sacra do Funchal, localizado no centro histórico da cidade.

A arcada, executada em pedra de lava de basalto negro, tem um pequeno pátio ajardinado aberto para a Praça do Município.

O espaço entre a arcada e o edifício é onde se situa a sala do café que foi fechado com um envidraçado colocado atrás das colunas de basalto. A esplanada do café ocupa o pátio ajardinado voltado para a praça e as zonas de serviço encontram-se instaladas em compartimentos adjacentes do edifício.

Na parede de fundo da sala existem quatro janelas que estão transformadas em vitrinas e expõem imagens realizadas a partir de peças do museu. As imagens são retratos de figuras esculpidas e estão impressas e retro iluminadas, como se fossem posters publicitários. O balcão, o tecto, as caixilharias e todo o mobiliário do café são negros e contrastam da parede de fundo da sala que está pintada em cor amarela.

O projecto de reabilitação recebeu o prémio de Património da Cidade do Funchal em 2003.

status – construído
localização – Funchal  Madeira  Portugal
ano – 2002
arquitetos – Duarte Caldeira, Filipe Araújo
fotografia – Júlio Castro  

 

Edifício da Encosta

Localizado na avenida marginal da baía do Funchal, este projeto visa a reconversão de edifícios afetados pelo alargamento desta via e a criação de um acesso vertical por elevador entre a avenida e o topo da falésia, onde existe um casino e um centro de congressos. O programa do edifício é composto por várias discotecas, bares e pelo átrio de acesso ao elevador.

Situa-se numa língua de terreno marginal à avenida e está delimitado por esta e pelas rochas que constituem a falésia e que se encontra ocupada por dois edifícios. Este maciço rochoso e os terrenos adjacentes fazem parte do parque de Sta Catarina, o maior jardim público da cidade do Funchal.

Ao contemplar esta paisagem de socalcos ajardinados, árvores e vegetação abundante que reveste as rochas de basalto e se estende desde a parte mais elevada da encosta até ao nível da avenida marginal, damo-nos conta da desconformidade dos edifícios que ali estão face ao cenário envolvente. Na impossibilidade de os retirar, estendeu-se o parque sobre o renovado edifício, criando uma nova composição ao conjunto.

status – não construído
localização – Funchal Madeira Portugal
ano – 2009
arquitetos – Duarte Caldeira, Sergio Gouveia Filipe Clairouin

 

Museu de Tecnologia e Inovação

Este museu, que contará com uma exposição de objetos, aparelhos e máquinas – algumas serão manipuladas pelos visitantes para jogar ou simular experiências científicas – tem como propósito estimular o público a conhecer e familiarizar-se com o mundo tecnológico e sobre os seus aspectos inovadores.

O museu será integrado num campus que agrega várias instalações educativas e desportivas, ordenado pelo plano de urbanização do Madeira Tecnopólo, na cidade do Funchal. A parcela do museu situa-se a norte da via rápida à cota 200 e à margem da ribeira de São João. O terreno, com cerca de 17000m2, inclui dois espaços para exposições temporárias, auditório, salas, lojas, cafetaria e ainda um museu de imagens, constituído pelo importante acervo fotográfico da região.

O edifício tem uma forma alongada e irregular cuja parte central se apoia no solo, deixando os extremos em suspensão. Encontra-se dividido longitudinalmente por uma espécie de fratura, que no interior corresponde a um espaço de iluminação zenital, à volta do qual se desenvolvem as circulações verticais. A secção transversal do edifício tem uma forma assimétrica e irregular com fachadas não verticais, o que lhe confere uma imagem de estrutura dinâmica. As suas superfícies são compostas por múltiplas faces e por uma geometria não ortogonal, mas o seu revestimento uniforme proporciona ao conjunto uma certa unidade e coesão.

O volume do museu, implantado paralelamente ao contorno da linha de água, encontra-se desfasado da escala, do alinhamento e da orientação das construções próximas; está desligado das conformidades e das analogias que unem o restante tecido urbano. No contexto edificado do local é um objecto autónomo.

A produção da sua forma e simultaneamente a sua ancoragem, que estabelece as conexões locais, recorreu a um processo de ressonância/dissonância, que envolve a orografia e no qual tomam parte vários aspectos dinâmicos como o movimento, o equilíbrio, a variabilidade e a irregularidade.

status – não construído
localização – Funchal Madeira Portugal
ano – 2006
arquitetos – Duarte Caldeira, Sergio Gouveia Filipe Clairouin Roberto Castro

 

Centro de Saúde de São Vicente

O centro de saúde é um edifício que integra vários serviços de saúde que inclui internamento, urgências, consultas externas e serviços sociais. Funciona como um pequeno hospital. Está implantado numa zona rural com topografia elevada e envolvida por um cenário natural forte, formado por uma paisagem montanhosa. Está inserido numa zona agrícola onde o cultivo se faz em pequenas parcelas de terreno que, devido á inclinação do terreno, formam socalcos.

O desnível da encosta levou a que o edifício fosse dividido em pequenos volumes, unidos e escalonados com vãos abertos para a paisagem. É uma composição de cheios e vazios que resultam em terraços e pátios ajardinados.

O conjunto dos volumes que compõem o edifício tem as coberturas revestidas com inertes de várias tonalidades que criam um patchwork semelhante aos socalcos agrícolas do local. O restante revestimento exterior é com pedra de cor cinza esverdeada que se funde com o tom da paisagem natural.

status – construído
localização – S. Vicente Madeira Portugal
ano – 2005
arquitetos – Duarte Caldeira, Rui Vieira, Filipe Araújo,
fotografia – Carlos Noronha

 

Parque Temático de Santana

O Parque Temático da Madeira é um centro onde, em pleno ambiente de lazer e contato com a natureza, estão expostos valores históricos, patrimoniais e culturais relacionados com a região da Madeira, sendo por esta razão um ponto de atração turística. Trata-se de um conjunto de edifícios implantados numa área verde, destinados a albergar vários espaços de exibição e de entretenimento. As atrações estão localizadas ao ar livre, em áreas ajardinadas ou no interior de pavilhões. No percurso ao logo do parque existem edifícios de restauração, lojas e outros serviços.
O parque está localizado num pequeno vale de montanha, atravessado por um córrego que deu lugar a um lago. Insere-se num lugar totalmente ajardinado e arborizado, rodeado por floresta e áreas de cultivo. Os edifícios são construídos em betão aparente com elementos em aço cor-ten e revestimento em madeira. O parque possui um estacionamento de vários pisos que se construiu, como a maior parte dos restantes edifícios, semi-enterrado na encosta.

status – construído
localização – Santana Madeira Portugal
ano – 2004
arquitetos – Duarte Caldeira, Isabel Ferreira Filipe Clairouin
paisagismo – Topiaris Luis Ribeiro
fotografia – Leonardo Finotti

 

 

 

Largo da República em Câmara de Lobos

Trata-se de uma intervenção no núcleo antigo de Câmara de Lobos, uma pequena cidade piscatória do sul da ilha. É um projeto de renovação urbana, composto por um conjunto de quatro edifícios, uma praça e acessos pedonais até ao mar. O projeto fez-se a partir do Largo da República e estendeu-se a vários edifícios à sua volta. A zona era um conjunto caótico de construções degradadas, acessos difíceis com problemas de tráfego e de estacionamento.

A proposta abrangeu a igreja matriz e a área adjacente, onde as edificações foram reorganizados à volta de um largo amplo, sem circulação rodoviária, aberto ao horizonte e ao perfil das encostas e montanhas que descem até ao mar. Os novos acessos acedem à praia, ligam-se com os caminhos pedonais existentes, e criam novas possibilidades de circulação.

A arquitetura dos novos edifícios é de continuidade com a volumetria, com a organização urbana do local e com cores e materiais existentes, mas é distinta na linguagem formal dos edifícios e na abordagem ao espaço público, que se apresenta sem mimetismos e sem qualquer nostalgia.

status – construído
localização – Câmara de Lobos Madeira Portugal
ano – 2007
arquitetos – Duarte Caldeira, Sergio Gouveia, Isabel Dória, Isabel Ferreira, Filipe Araújo, Filipe Clairouin, Hugo Jesus, Roberto Castro
fotografia – Fernando Guerra FG+SG

 

Conservatória de São Vicente

O local onde se insere o edifício da conservatória é um vale profundo situado na costa norte da Ilha da Madeira, ladeado por encostas verdes com o mar à frente e onde se encontra a vila de S. Vicente. Toda a envolvente é dominada pela paisagem de montanha e por uma orografia pujante. Junto a uma margem da ribeira que corre no vale, numa faixa de terreno que teria sido também leito de ribeira, encontra-se o parque, formado por uma zona verde e um estacionamento subterrâneo com pequenas lojas assentes na cobertura. A disposição aleatória destes volumes das lojas ao longo da margem, dá a impressão de movimento e estabelece uma analogia com o curso da ribeira.

O novo edifício possui uma forma rectangular e maiores dimensões que os restantes volumes, foi implantado no mesmo espaço onde se encontram outras construções. Por estarem no mesmo lugar em simultâneo, a nova e as antigas construções atravessam-se e interceptam-se, partilhando o mesmo espaço.

A conservatória tem um só piso, com uma cobertura plana suportada por uma fiada de pilares dispostos em todo o seu perímetro e formam um peristilo. As paredes são de vidro e estão recuadas face ao alinhamento dos pilares formando um único espaço interior. A transparência e ligeireza das fachadas é interrompida por volumes sólidos revestidos a pedra que penetram os seus limites.

status – construído
localização – S. Vicente Madeira Portugal
ano – 2011
arquitetos – Duarte Caldeira, Filipe Clairouin Roberto Castro
fotografia – João Morgado